27/09/2008

O ovo

No ninho da galinha os ovos serão chocados. Cada pinto desenvolve o que chamam de vida, a centelha que lhes fara seres. A clautrofobia que vem no gen de cada um os fará quebrarem as cacas onde ficaram prontos para virem à luz. E, daquela ninhada de dez ovos, um não vingou. O pinto dentro do ovo desenvolveu não a claustrofobia salvadora, mas a síndrome do pânico. Um medo de sair do ovo que suplantava sua vontade de estourar para a vida. A galinha, com seu instinto maternal, quebrou a casca e retirou a fórceps o pinto que por si não quebrou o ovo.
O pinto, apavorado, se meteu dentro de um vaso quebrado do lixo do quintal e se recusava a zanzar pelo quintal.
Um veterinario sensível poderia intuir o mal. Mas, é um caso para um terapeuta, só que a galinha não sabe disso.

por Nani, no livreto "Humor politicamente incorreto".

23/09/2008















eu construi meus sonhos e os enterrei nas cavernas.
deixei eles presos aos meus desejos
os escondi nas minhas magoas,
os prendi nos meus medos,
fugi deles e os deixei cansados e solitários.
não me fechei para eles?
são eles meus males minhas agruras,
sentimentos sufocados.

eu tenho bem pouco dinheiro para realiza-los,
mais eu vejo coisas!
assim como a noite é a dama do descarrego e senhora das ilusões.

elas é tambem noite dos sedentos fugitivos.
se o dia não me deixa ser ou viver, sempre com sua língua e seus olhares capciosos.
o que me satisfaz o que me deixa realizado.
não tenho dinheiro pra isso mais continuo sendo uma fugitivo do dia.
e assim como muitos eu posso dizer encontrei minha alma gemia,
ali logo depois do sol esta minha acalentadora e amada.
eu te amo pois teu amor é desigual.
já vi os raios do sol e sua mania de saber onde esta o estranho da escuridão.
eu estou noivo não ta vendo.
e você!!!
tem alguma razão sobre o quanto você é igual.

21/09/2008

fábrica de sonhos

da janela da minha goma deu pra ouvir, durante todo o sábado e domingo, um evento católico carismático urrando as verdades verdadeiras da religião perfeita. enfim, quem é contra vai arder nas chamas do inferno. levanta a mãozinha, dá um sorrizinho, balança a bundinha e grita aleluia. abraça teu amigo do lado, diz pra ele que aceite jesus senão ele vai se fuder aí... quem aceitou jesus dá um grito! quem se salvou dá um grito! quem está feliz dá um grito!
o monopólio da graça, como qualquer monopólio produz montros, mortes e ignorância. porque tanto medo da experiência?
mas afinal, qual é o teu critério de normalidade? sim, o que te faz diferenciar o normal do anormal, o certo do errado, o agradável do condenável?
e, afinal, porque temos que possuir desejos tão parecidos? sempre em bandos, e na maioria das vezes em rebanhos, vigiamo-nos uns aos outros? o convívio deve ser facilitado e se tivermos o mesmo perfil tudo se tornará mais fácil, não é?
perdemos a individualidade - o medo e os critérios esmagam, ameaçam o milagre da personalidade.
e, afinal, quais os teus critérios para julgar-me errado? a revista caras? o encarte de promõções do jornal? o jornal? o que o povo está comentando? a moral? a religião? o mercado?
essa gente é toda igual: conhece um, conhece todos. religiosos são sempre iguais, independentemente do ponto do globo - a religião, ou o fenômeno religioso preza o papel de monopolizar a experiência mística. conduzí-la, formá-la enfim. as grandes cidades também são todas iguais, funcionam da mesma maneira. chamam isso de modernidade, democracia, globalização, a maneira certa, etc. FÁBRICA DE SONHOS.
sonhos outros são demonizados. sempre demonizados, em maior ou menor grau e velocidade.
é necessário compartilhar. isto é deus. porque os caminhantes, os viajantes, os nômades são o demônio? qualquer busca individual é demônio? por este motivo a arte sempre precisou ser controlada. perseguida, censurada, ignorada, fabricada, incentivada, criada, etc. - FÁBRICA DE SONHOS.
o artista cria sonhos, é um pequeno deus. mas também um pequeno perigo. novas percepções sempre são, ainda que potencialmente, novos perigos. diga-me com o que sonhas e te direi quem és. e tenho dito.


20/09/2008

ligou é sucesso


12/09/2008

vários tambores

"Por que deveríamos estar tão desesperadamente apressados para ser bem-sucedidos e em empreendimentos tão desesperadores? Se um homem não acompanha o passo de seus companheiros, talvez seja porque ele ouve tambores diferentes. Deixe-o marchar de acordo com a música que ouve, por mais compassada e distante que seja."

H. D. Thoreau

mutações contemporâneas da palavra rebelde











































vontade


08/09/2008

zeitgeist, o filme. acredite se tiver coragem.




Zeitgeist, the Movie é um filme de 2007 produzido por Peter Joseph (pseudônimo de James Coyman) da GMP LLC, que apresenta uma série de teorias de conspiração relacionadas ao Cristianismo, ataques de 11 de setembro e a Reserva Federal dos Estados Unidos da América. Ele foi lançado online livremente via Google Video em Junho de 2007. Uma versão remasterizada foi apresentada como um premiere global em 10 de novembro de 2007 no 4th Annual Artivist Film Festival & Artivist Awards.


Chögyam Trungpa Rinpoche: "A espiritualidade é um termo específico que na verdade significa lidar com a intuição. Na tradição teísta há a noção de apego a um conceito. Um certo ato é considerado como não aceitável para um princípio divino. Um certo ato é considerado aceitável para o divino. Na tradição do não-teísmo, no entanto, é bastante direto que os casos da história não são particularmente importantes. O que é realmente importante é o aqui e o agora. O agora é definitivamente agora. Nós tentamos viver o que está disponível ali no momento. Não faz sentido pensar que existe um passado que poderíamos ter agora. Isto é agora. Este precioso momento. Nada místico, apenas "agora", muito simples, direto. E desse "agora", contudo, emerge sempre um sentido de inteligência de que estamos constantemente em interação com a realidade, um por um. Lugar por lugar. Constantemente. Nós na realidade vivemos uma fantástica precisão, constantemente. Mas nós sentimo-nos ameaçados pelo "agora" e saltamos para o passado ou o futuro. Prestando atenção aos bens materiais que existem na nossa vida, esta vida rica que nós levamos, todas as escolhas tomam lugar a todo o momento, mas nenhuma delas é considerada boa ou má, porque se todas as coisas que vivemos são experiências incondicionais, elas não vêm com uma etiqueta dizendo "isto é considerado mau" ou "isto é bom". Mas nós vivemo-las mas não tomamos a atenção devido a eles. Nós não damos conta que vamos a algum lado. Nós consideramos isso um incômodo. Esperar pela morte. Isso é um problema. É o não confiar propriamente no "agora", que aquilo que vivemos agora possui muitas coisas poderosas. É tão poderoso que nós somos incapazes de o enfrentar. Consequentemente, temos que emprestar do passado e convidar o futuro a todo momento. E talvez seja por isso que procuramos a religião. Talvez seja por isso que andamos na rua. Talvez seja por isso que nos queixamos à sociedade. Talvez seja por isso que votamos nos presidentes. É bastante irônico... Na verdade muito engraçado."


Jordan Maxwell: "Quanto mais você começa a investigar aquilo que pensamos conhecer, de onde viemos, aquilo que pensamos estar fazendo, mais começamos a perceber ao que estamos submetidos, estamos submetidos a todas as instituições. O que te faz pensar por um minuto, a razão pela qual a Religião foi a única instituição que até hoje nunca foi "tocada"? As instituições religiosas sempre estiveram na base de toda a porcaria deste mundo. As instituições religiosas são postas neste mundo, pelas mesmas pessoas que governam a sua vida e a sua educação corrupta, que preparam cartéis de bancos internacionais. Porque nossos “Mestres” não dão a mínima para você ou sua família. Tudo com que eles se preocupam e com o qual sempre se preocuparam é em controlarem esse mundo inteiro. Nós fomos desviados da verdadeira e divina presença no universo que os homens tem chamado de "Deus". Eu não sei o que Deus é. Mas tenho certeza do que Ele não É. E até que esteja preparado para olhar para a realidade, ir até onde for preciso, independentemente de onde nos possa conduzir, mesmo que queira enfiar a cabeça na areia ou jogar no time que está ganhando, chegará um ponto em que irá descobrir que tens brincado com a justiça divina. Quanto mais você educa sua mente, mais você compreende as origens de tudo mais óbvios se tornam os fatos e mentiras surgem por todos os lados. Você tem que saber a Verdade, procurar a verdade e ela te libertará."


"Eles devem achar difícil... Aqueles que tomaram a autoridade pela verdade, em vez da verdade pela autoridade." (G. Massey, egiptólogo)


George Carlin: "Se tratando de enrolação, a maior conversa fiada de todos os tempos, você tem que tremer um pouco e concordar. O campeões de todos os tempos no que diz respeito a falsas promessas e exageros é a Religião. Pensem um pouco. A Religião definitivamente convenceu as pessoas que há um homem invisível que mora no céu que vigia tudo o que você faz, todos os minutos do seu dia e o homem invisível tem uma lista especial de dez coisas que ele não quer que você faça e se você fizer quaisquer destas dez coisas, ele tem um lugar especial, cheio de fogo, fumaça, queimaduras, torturas e sofrimento, para o qual vai te mandar para viver, sofrer, arder, sufocar, gritar e chorar para todo o sempre até ao fim da eternidade... mas ele te ama! Ele te ama... e precisa de dinheiro! Ele sempre precisa de dinheiro! Ele é todo-poderoso, sabe tudo e tem tudo, mas de alguma forma... precisa de dinheiro! A Religião lida com bilhões de doláres, não pagam impostos e precisam sempre de um pouco mais. Agora, contem-me uma enganação maior que essa... enrolação sagrada."


Bill Hicks: "Cristianismo fundamentalista, fascinante. Eles pensam realmente que o mundo tem apenas 12,000 anos. Eu perguntei: "OK, e os fósseis dos Dinossauros?" Respondeu: "Fósseis de Dinossauro? Deus colocou-os lá para testar a nossa fé!" "Eu acho que o teu Deus te colocou aqui para testar a minha fé!"


"A religião Cristã é uma paródia à adoração do sol, onde colocaram um homem chamado Jesus Cristo em seu lugar, e começaram a entregar esse personagem a devoção que entregavam ao sol." (Thomas Paine - 1737/1809)


Jordan Maxwell: "Nós não queremos ser indelicados, mas temos que ser factuais. Não queremos magoar sentimentos, queremos ser academicamente corretos, naquilo que compreendemos e sabemos ser verdadeiro. O Cristianismo simplesmente não é baseado em verdades. Consideramos que o cristianismo foi apenas uma história romana, desenvolvida politicamente."


"A religião nunca poderá reformar a humanidade porque a religião é escravidão." (Robert G. Ingersoll - 1833-1899)


David Ray Griffin: "Um mito é uma falsa ideia que é amplamente seguida. No contexto religioso, opera como uma história que guia e mobiliza povos. O essencial não está na credibilidade da história mas sim na forma como funciona. Uma história não funciona se não tiver uma comunidade ou nação que acredite nela. Nunca será matéria de debate questionar a veracidade da história sagrada. Os guardiães dessa fé nunca participarão num debate com eles. Os questionadores serão ignorados, ou denunciados como hereges e blasfemos."


Porque vocês e 62 milhões de americanos estão me vendo neste momento? Porque menos de 3% de vocês lêem livros. Porque menos de 15% de vocês lêem jornais. A única verdade que conhecem é aquela que vem desta caixa. Existe uma geração inteira que não conhece nada que não tenha saído dessa caixa! Ela é a verdade absoluta, a última revelação. Ela pode construir ou destruir presidentes, papas, primeiros-ministros. É a força mais maravilhosa e poderosamente maldita deste mundo, e ai de nós se algum dia cair nas mãos erradas. E quando a maior empresa do mundo controlar a maior e mais perfeita máquina de propaganda criada, quem saberá que merda será tomada como verdade através da programação! Prestem atenção... prestem bem atenção. A Televisão não é a verdade. A Televisão é uma droga de um parque de diversões. É um circo, carnaval, uma parada de acrobacias, cantores, malabaristas, domadores de leões e jogadores de futebol. É a matança do aborrecimento. Mas vocês sentam lá, todo dia, toda noite, todas as idades, cores, credos. Nós somos tudo aquilo que vocês conhecem. Vocês começam a acreditar nas ilusões que pomos aqui, acreditam que esta caixa é a realidade e as suas vidas não são reais. Vocês fazem tudo o que a caixa lhes diz pra fazer. Vocês vestem-se como a caixa, comem como a caixa, criam as crianças como vêem na caixa e até pensam como os seres da caixa. Isto é alienação em massa, seus dementes! Vocês é que são reais, pensem!, nós somos a ilusão.


06/09/2008

mm12, corpos abertos

aceitaram-na. era sorridente e prestativa para com todos. demonstrava sempre o quanto era feliz. muito feliz. felicíssima.

mais micromitologias aqui.

02/09/2008

horário eleitoral da agressão gratuita


01/09/2008

outsider




A figura do outsider. Do cara que não se enquadra. Do sujeito que não faz questão de pertencer a nenhuma turma. O cara que no colégio sentava na última carteira, não falava com ninguém e ia embora sozinho. Havia algo de muito maneiro em figuras desse naipe.


Leia na íntegra aqui, por Mário Bortolotto.

31/08/2008

use a sua verve
brilhe como uma estrela
o que diferencia as pessoas é a vontade.

30/08/2008

voto nulo, deluxe edition




é mais facil dominar um corpo que só conhece um caminho.


ao governo cabe construir rodovias.

Uma nova verdade bem mentida.











Como é lindo não é verdade? esses últimos dias, os dias do renascimento, a era das trevas estão se dissipando novamente, e os novos senhores e senhoras da verdade estão chegando, sorrisos estampados de uma canto a outro em suas mandíbulas de hiena. Detalhe, ainda bem que são saqueadoras só na selva, outros animais dão um duro dando pra conseguir alimentos e ai elas chegam pra devorar.
Tapinhas nas costas promessas de deuses e como sempre Deus e usado pra atingir os coraçõeszinhos meigos e delicados fachada satânica que muitos adoram usar.
Fala doce e comprimentos represaria.
O velho e bom sabes com quem esta falando esta sempre presente e é claro o suborno politico, eu não sei quanto mais pra segurar bandeirinhas dos renascentistas eles vendem seus anos pra serem sucateados por esse bando de hienas filhas da putas, odeio certos animais, e falando em hiena e canguru to fora, adoro as cobras pois elas ou são venenosas ou são cobras. Afinal cobra é cobra .


29/08/2008

O Saco do Marsupial

eu vejo o futuro:
eu vejo programas.
eu vejo telas com escritas dizendo faça o que eu mando.
eu não só vejo e estou vivendo como um eterno marsupial.
Só que bem mais depedente dos dizeres.
eu vejo coisinhas cheias de razão por sua liberdade.
marsupiais insanos nem saíram da bouça.
vocês só criaram uma nova moda que dá lucro a alguém.
eu vejo gente pagando pelo consumo de cigarro dos outros, eu vejo os santos todos cheios de cigarros conssumidores na doença.
eu vejo um monte de leis fedendo dentro de sacos e ali fede o supremo, o supremo me comprimiu em uma pressão, mau consigo me retorcer neste saco. eu entrei outro dia no saco de uma marsupiail filho da puta que como uma adivinho mal ensacado me faz a seguinte pergunta.
quantos anos você tem? eu por educação obrigada que tenho respondi ao serzinho sufocado.
e o merda me fala tá na hora.
eu cheio de fúria já sabendo.
eu respondi a mim mesmo: esse marsupial fundido tá cheio de razão pra esse investimento falido.
e pra ele não me veio resposta eu juro.
odeio marsupial.
o saco de ser um marsupial é que além de esta dentro de uma bolsa vai pelo pulo.
não é pra entender mesmo.


28/08/2008

uma salva de palmas senhoras e senhores




uma salva de palmas senhoras e senhores,

para toda esta gente de gosta do "poder",

que estão aí para promover a "cidadania",

gente cujo ego grande manda na alma,

que querem brilhar como ouro,

que se preocupam com a imagem e com os louros,

que riem, mas não são felizes,

que abraçam, mas não são amigas,

que andam juntas, mas estão separadas,

senhoras e senhores, uma salva de palmas para todas estas cobras comendo o próprio rabo.

26/08/2008


24/08/2008

o corpo, por alberto lins caldas




O Corpo.

Mesmo que carreguemos agora uma idéia cotidiana de mudança, de história, de evolução, certos olhos enganam e fazem permanecer e justificar naturalizações. Nos é muito difícil aceitar uma historicidade radical (mesmo essa sendo uma “invenção” tipicamente ocidental), para nós a mudança é sempre em parte, podendo apenas se referir à aquilo que achamos que se modifica, pode ou deve se modificar (o aceitável da modificação e da historicidade).

O corpo, para nossa visão de mundo, agora “pode” se modificar em milhões de anos, mas nunca em décadas, em anos, em horas, e se modificar tão radicalmente que não seja mais sedutor, que nos pareça outro corpo (a não ser o corpo doente, o corpo mutilado). A modificação é sempre possível, sempre natural e lentamente. Ou melhor, é sempre a matéria do corpo que se modifica (o corpo como matéria terrestre) num tempo lento ou a moda sobre o corpo que vai e vem, nunca um corpo alienígena, um outro-corpo (a não ser o corpo teratológico) colado ao nosso, também nosso corpo.

E não nos referimos àquele corpo de outras culturas que fotografamos como aos animais, por curiosidade, por espírito científico, objetivamente, por prazer, e que trazem sempre a marca do extremamente outro, a experiência do opaco, do indizível, do incansável, que nada dizem a não ser enquanto momento de estranhice, como nas chapas de Edward S. Curtis de Apaches, Cheyennes, Sioux e outros fósseis de “nativos norte-americanos”: fotografados todos como animais ou com os olhos mortos de quem expressa uma coisa, principalmente por que esses corpos de “nativos” se recusam a falar, se recusam olhar, se recusam a participar e se tornarem um corpo estranho a si mesmo, se recusam a se tornarem imagem, a se tornarem públicas, a se tornarem movimento: são apenas manequins “vestidos de índio”: estão nas brechas da nossa concepção de tempo: antes dos nossos olhos e bem depois da nossa vivência: são seres de museu, fantoches de carnaval: é apenas a doxa que nos faz dizer a alteridade mas essa pretensa alteridade é somente a brecha de uma diferença, superfície de uma máscara, percepção de uma outra “fantasia”, de uma outra moda.

São corpos fechados, aqueles que não enfrentaram todas as tempestades da imagem e do movimento, todos os processos de exposição e do tornar-se público, que olham com desconfiança ou que se recusam a olhar, mantendo somente o olho aberto para o olho não sabido da câmara, que será o nosso. Esse corpo não se entrega, sorri, quando sorri (e o riso parece sempre falso, quase um esgar: de nojo?) apenas para os que estão fotografando e não para o futuro, para outro tempo, para outros que não estão ali. Não são corpos dispostos (indispostos?) e a disposição, se existe, é sempre forçada ou estranha; eles não se abrem ao fluxo do tempo, não esperam se ver no futuro nem que aquele momento presente, o momento da foto, se torne passado: são seres fora da história, seres fora da vivência daquilo que cria a idéia de história, o que faz com que ela exista para nós, seres coisificados, jogados num rio total. Para nós, seres da história, são falsos corpos esses que não se entregam ao tempo, não comungam com a entrega do olhar. Resistem com um orgulho que perdemos a muito tempo, uma altivez que já não sabemos reconhecer.

Os corpos abertos são corpos na história. Estão abertos como os corpos dos atores para as câmeras, conscientes da sua estampa pública, da sua permanência e da sua provisoriedade, cônscios da temporalidade tripartida e física da história: o tempo do trabalho marcando o corpo e a alma do corpo, a visão do corpo e o corpo da visão: o sorriso rindo para sempre, aos presentes e aos futuros, verdadeiro riso da e na história: todo fotografado de corpo aberto é um eterno Clark Gable no fluxo da luz, sem sombra, inteiro, todo dado, entregue. São os corpos depois da longa experiência da fotografia e do cinema, da exposição e vivência pública desse novo, ou melhor, desse outro corpo. É a diferença entre Robert Mapplethorpe ou Avedon e os nus do final do século XIX (nem mesmo as prostitutas nuas se entregam ao olhar, ao outro em outro tempo: são prostitutas apenas para os olhos do seu tempo, para os corpos do seu tempo: não são mulheres nuas: nem mesmo Sarah Bernhardt, nua ou vestida, consegue sair de sua pose amortalhada num tempo, estranhamente ainda fechada ao olhar projetivo do olhar fotográfico).

Os corpos fechados são corpos naturais, enquanto os corpos abertos são corpos da história: os naturais são históricos, relutam em se tornarem expostos e disponíveis, parecem velhos e estranhos, como se nossos avós estivessem nus, são outros corpos, mas esses não foram o nosso corpo anterior: eles nascem de uma ruptura, de uma mutação; os históricos são naturais, se entregam facilmente, são livres, são normais, são próximos: é o nosso corpo, corpo objetificado que não nos pertence mais: são corpos dos outros, corpos da imagem, do trabalho e do movimento, corpos públicos, corpos pornográficos por se exporem até a náusea: são presas do tempo.

O que era pornográfico ou erótico para os que olhavam esses corpos fechados, fotografados nus, para nós é somente estranheza: não se denunciam mais como pornografia: são frágeis, desprotegidos, são todos corpos de criança, se bem que o corpo nu das crianças, para os olhos do nosso corpo canibal, é somente mais um corpo, um corpo em miniatura, tão degustável quanto sua imagem aumentada, corpo que se vende e se mostra, demonstrando que já não há distinção real entre um corpo infantil e um corpo adulto: o corpo aberto conhece poucos limites e nem a idade nem a aparência são-lhe limites respeitados: fora dos corpos do poder o corpo aberto, corpo do poder por excelência, não reconhece horizonte que não possa ser incluído, degustado.
Nosso reconhecimento é dolorosamente genérico, saindo fora de toda determinação e proximidade. Aos nossos olhos esses corpos não se erotizam: são corpos, bocas, olhos, peitos, sexos, coxas, cabelos: mas esse genérico não é suficiente para chegar até a nós nem se dizer: ele não se singulariza nem se aproxima: não se torna nem familiar nem degustável: ele é de outro sabor: seu saber não nos sabe: é uma carne-não-cozida-para-nós: não sabemos devora-la, nem pelos olhos nem pelo corpo, pois não há sequer desejo ou desejo de devorar: não pede nossos líquidos: são corpos terrestres, somente outro corpo.

No entanto, o corpo aberto tende a aceitar o genérico como familiar, sem distinguir e sem ver corpos abertos ou fechados: a naturalização genérica do mundo do capital e o olhar naturalizado os torna iguais e desejáveis: nosso olhar pornográfico tornou-se onívoro: temos agora o mesmo olhar fálico que é necessário ter para conviver com um mundo de exclusivamente de objetos: devoramos tudo, desejamos tudo: na “rede tudo é peixe”: mas esse olhar onívoro ainda recua diante de certas imagens mesmo tendendo a incluí-las em sua órbita.

O corpo aberto não significa, ele não é ponte ligando nada nem sentindo necessidade de ligar, ele não sabe que precisa ligar para se tornar um corpo; não é encontro porque não dialoga, ele se apresenta, apresenta e permanece, tornando-se para o outro, com o tempo, cancerígeno e doloroso, antagonismo que grita sua indisposição de tanta disposição castrada: dois corpos abertos se devoram e se maltratam desde os olhos, desde o olhar; é uma disponibilidade que apenas instigada é que se normatiza e se diz: é corpo prostituído por fundamento e razão social, não consegue se definir ou se propor: ele apenas se coloca no mercado: para o outro corpo.
Universalizando essa indefinição não consegue ver senão a si mesmo. O corpo fechado sabia a quem se dar, como se dar, quando se dar e porque se dava; o corpo aberto não pressupõe alguém, normas, tempo, tradição: ele é de todos, sem normas, a qualquer hora e por nada. A disponibilidade e a auto-disposição desse corpo se vender no mercado é agora única na ocidentalidade: jamais nos dispomos tanto a nos vender e consumir dessa maneira.

Esse corpo não consegue sequer se decidir se é corpo puramente material ou se é ainda atravessado por sonhos: não aceita sua metafísica e no entanto vive a recordá-la: como sua integração social, auto apresentação e vivência são problemáticas (fazendo-se ao nível do objeto, da venda e do consumo, jamais ao nível da comunidade e do outro), é um shopping center ambulante: transparente, cheiroso, movimentado e profundamente falso: superfície de superfície: somente apresentação: armadilha de um desejo sem razão. Mas esse corpo aberto não é hegemônico nem exclusivo na ocidentalidade. Outros corpos convivem, nos atravessam os caminhos, resistem, dizem-se, proclamam-se.


23/08/2008

dimas forchetti


19/08/2008











playboyzada filha da puta dos inferno!

já foi o tempo em que haviam "jogadores de futebol". agora temos essa playboyzada imbecil, todos empregados das multinacionais européias do futebol - ronaldinho pagodinho, alexandre pato, a celebridade instantânea, que vem com namorada global de brinde e todo esse bando de bunda mole que está aí... e com o dunga somado. o último jogador de futebol brasileiro de verdade foi o ronaldo gordo na época em que jogava bola e ganhou copa do mundo. o resto é esse bando de comédia aí... SELEÇÃO COMÉDIA VAI PRA PUTA QUE OS PARIU!

17/08/2008

ai que raiva?
















sou um suco abstraído.
odeio ser suco abstraído.
adoraria ser uma suco de cevada.
só assim eu teria sempre belas pernas e belos traseiros fazendo comentário de mim.
mesmo se fazem no meu rotulo beba com moderação.
mais eu diria não é só eu que faço esse efeito não, tem coisa mais pesada por ai.
eu to tão tonto e partido como os patinhos na lagoa (PDT, PC, PC do B, PR, DEM, PMDB, PPS, PP, PSDB, PSB, PT, PSTU, PV, PTB, PT, PTN, PTC, PSTC, PSL, PSC, PSDC, PMN). COMO É LIDA A DEMOCRACIA PARTIDA NÃO É VERDADE.
ai meu! pouco me importa quem me consumisse.
bebam miseráveis que eu sou feliz mesmo na lei seca. essa água vai até vocês.
com seca ou não todo mundo tem que vota mesmo.
se tem uma coisa que eu gosto é água potável.
quem não gosta nê verdade.











Compre baton é tom bom.















algo sobre natural .
tão sobre natural que é muito mais que sul real.
algo que não se pode ver com mentes cansadas de produzir e consumir.
eu vejo gente morta vagando em TODOS OS TIPOS DE VENDAS.
SAIA DO SOFÁ ESSE É O PIOR CEMITÉRIO, TEM MUITA GENTE MORTA AI.

pelas ruas consumindo de tudo até o desnecessário.

meu filho grita a mãe desesperada mesmo com tantos remédios CONSUMIDOS TOMADOS PARA CONTROLAR SEUS curtos psicoticos. Já Lhe dei DVD, TELEVISÃO, CARRINHO DE CONTROLE REMOTO, TÉNIS IMPORTADO, E TANTAS E TANTAS OUTRAS COISAS E VOCÊ NÃO ME OBEDECE?
PELO MENOS ESTUDA PRA SER ALGUÉM.
O MENINO RIR REEEEEEEEEEE .
NÃO VOU MAIS COMPRAR NADA PRA VOCÊ.
E O MENINO GRITA DESESPERADO.
EU QUERO MEU COMPUTADOR COM BANDA LAGAR!!!
TELEFONISTA MAIS UMA VEZ:
MINHA SENHORA JÁ TEMOS VÁRIAS SOLICITAÇÕES SUAS E INFELIZMENTE A RESPOSTA É A MESMA PRA SUA LOCALIDADE NÃO TEMO S ADSL DISPONÍVEL.
SEM CONECTIVIDADE!!! RESPONDE CALMA A TELEFONISTA.
CONSULTE UM DICIONÁRIO PRA Você ter clareza dessa palavra obrigada.
e a telefonista diz, não senhora não é filho o significa Favor consultar o dicionário.
e deu sinal de desligaDOOOO...